Os 5 Passos Fundamentais do Tratamento da Escoliose

A escoliose é uma condição tridimensional da coluna vertebral que, quando diagnosticada precocemente e tratada com base em evidências científicas, pode ser manejada com eficácia. Neste artigo, você vai compreender os 5 passos essenciais para entender e tratar a escoliose com segurança e precisão.

1. O que é a Escoliose?

A escoliose é uma alteração postural da coluna vertebral que afeta suas três dimensões anatômicas:

● Vista frontal: há uma curvatura lateral em forma de “S” ou “C”.

● Vista superior (teste de Adams): nota-se uma rotação vertebral, observável por assimetria no tronco.

● Vista lateral: ocorre a retificação de curvas fisiológicas, como a cifose torácica e a lordose lombar.

Ou seja, a escoliose não é apenas uma curvatura lateral — ela envolve inclinação, rotação e alteração da curvatura sagital da coluna.

2. Quais são as causas da Escoliose?

A etiologia da escoliose pode ser dividida em dois grandes grupos:

a) Escoliose Idiopática

Representa cerca de 80-90% dos casos, especialmente em adolescentes. Embora a causa não seja definida, estudos apontam fatores genéticos, hormonais, deficiência de vitamina D e alterações no sistema nervoso central como possíveis influenciadores do desenvolvimento da curva.

b) Escoliose Secundária (não idiopática)

Inclui causas estruturais e funcionais bem definidas, como:

● Doenças neuromusculares: paralisia cerebral, mielomeningocele, entre outras.

● Discrepância no comprimento dos membros inferiores: diferenças superiores a 1,5 cm podem gerar desequilíbrios pélvicos e curvaturas compensatórias.

● Malformações congênitas: como hemivértebras ou vértebras em forma de cunha.

● Escoliose antálgica: gerada por dor aguda, geralmente transitória.

3. Qual a importância da idade no diagnóstico?

A idade do paciente é um dos fatores mais relevantes na definição do risco de progressão da curva. A classificação é a seguinte:

● Escoliose infantil: 0 a 3 anos;

● Escoliose juvenil: 4 a 9 anos;

● Escoliose do adolescente: 10 a 18 anos;

● Escoliose do adulto: acima de 18 anos e;

● Escoliose degenerativa: geralmente após os 60 anos.

A escoliose idiopática do adolescente (EIA) é a mais comum. Durante os estirões do crescimento, principalmente entre os 11 e 14 anos, a curva tende a progredir com maior intensidade. Quanto mais precoce o início da curva, maior o risco de agravamento.

4. Como avaliar a gravidade da escoliose?

A gravidade é determinada principalmente pelo ângulo de Cobb, medido em radiografias em AP:

● Leve: 10 a 25 graus

● Moderada: 25 a 45 graus

● Grave: acima de 45 graus

● Muito grave: acima de 60 graus

Importante: uma curva moderada em uma criança pequena pode ser mais perigosa do que uma curva grave em um adulto, devido ao potencial de progressão durante o crescimento.

5. Qual é o tratamento adequado para cada caso?

A principal diretriz de tratamento segue a prática baseada em evidências, respeitando o grau da curva e o estágio de crescimento ósseo do paciente.

a) Curvas leves (10–25 graus)

Tratamento com exercícios específicos para escoliose (PSSE). Esses exercícios são ativos, individualizados e focados na auto-correção da curva.

b) Curvas moderadas (25–45 graus)

Associação dos exercícios específicos com colete ortopédico rígido, preferencialmente modelos com evidência científica de eficácia, como o colete S4D. A adesão ao colete deve ser acompanhada por uma equipe especializada.

c) Curvas graves (> 45–50 graus)

Caso os tratamentos conservadores não sejam eficazes ou a curva apresente alto risco de progressão, a cirurgia pode ser indicada. Trata-se de um procedimento complexo que deve ser realizado por profissionais experientes em deformidades da coluna.

Considerações Finais

O tratamento da escoliose deve ser personalizado e baseado em diretrizes internacionais, como as da Scoliosis Research Society (SRS) e da SOSORT. O uso indiscriminado de exercícios genéricos ou coletes sem prescrição técnica pode comprometer os resultados.

Dica profissional: Procure centros especializados e exija que seu plano terapêutico seja baseado em ciência, com avaliação da curva por ângulo de Cobb, maturidade esquelética e risco de progressão.

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