A relação entre escoliose e dor é complexa e nem sempre linear. Muitos pacientes com escoliose idiopática, especialmente adolescentes, não apresentam sintomas dolorosos. No entanto, em alguns casos, a dor pode ser um sintoma significativo.
Quando a escoliose não causa dor:
Na escoliose idiopática do adolescente (EIA), a dor geralmente não é um sintoma predominante. Estudos indicam que a maioria dos adolescentes com EIA são assintomáticos ou apresentam apenas desconforto leve. A ausência de dor, contudo, não significa que a condição seja benigna, pois a curva pode progredir silenciosamente.
Quando a escoliose está associada à dor:
A dor é mais comum em adultos com escoliose, especialmente na escoliose degenerativa. Fatores que contribuem para a dor incluem:
● Degeneração discal: Desgaste dos discos intervertebrais pode causar dor lombar.

● Desbalanço muscular: Compensações posturais podem sobrecarregar músculos e ligamentos.

● Compressão neural: Curvaturas acentuadas podem comprimir raízes nervosas, levando a dor irradiada.

A dor também pode ser exacerbada por fatores psicossociais, como estresse e ansiedade.
Importância da avaliação individualizada
Cada caso de escoliose é único. A presença ou ausência de dor deve ser avaliada em conjunto com outros fatores clínicos e radiográficos. O tratamento deve ser personalizado, considerando não apenas o grau da curva, mas também os sintomas e a qualidade de vida do paciente.
Referência: Ramirez N, Johnston CE, Browne RH. The prevalence of back pain in children who have idiopathic scoliosis. J Bone Joint Surg Am. 1997;79(3):364–368. doi:10.2106/00004623-199703000-00010:
Aebi M. The adult scoliosis. Eur Spine J. 2005;14(10):925–948. doi:10.1007/s00586-005-1053-9